15 — 04 — 2015
15 — 04 — 2015
21h30 / Fórum Lisboa

Com este filme, que era para se chamar Sagrada Família, projecto que o cineasta não conseguiu realizar na íntegra, João César Monteiro introduz os movimentos de toda a programação da 9ª Mostra do Documentário Português — o seu comentário inicia-se assim com um preâmbulo. Estes movimentos são resumidos pela figura do círculo, que é neste filme não apenas material — nos corpos do casal no centro da cama, no foco de luz com que Manuela de Freitas rasga o negro da cena, na laranja de Ponge — mas é também o círculo próximo e íntimo, familiar ou o círculo temporal das ruínas – que pontuam o filme e que o filme é. Série de fragmentos que anuncia, com uma estranheza violenta, a relação — de luta — que João César Monteiro tem (terá) com a realidade, em todos os seus filmes.

Concerto Von Calhau!
JAVLA

JAVLA = contracção das palavras JAULA e LAVA = preparação de terreno para geração de ambispaço = espaço unificado de torrentes movimentadas de lava e clausuras estáticas de jaulas = estaticidade acelerada = JAVLA

Fragmentos de
um Filme-Esmola
João César Monteiro
(1972, Portugal, 72’)

Maria trabalha numa fábrica alemã de chapéus-de-chuva, como superintendente do sector de produção. João Lucas, que cortou relações com a chamada vida activa, vive literalmente na cama, rodeado de vegetais. A criança filma em 8 mm, por vontade expressa do pai, este quotidiano um pouco excêntrico. Deve pensar-se que este décor funciona duplamente como habitação e estúdio cinematográfico, sendo as fontes de iluminação, as mais das vezes, visíveis e as mesmas para ambos os filmes. Os ganhos de Maria são devorados até ao ultimo cêntimo pela monstruosa produção cinematográfica, dita familiar e de amador.



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