16 — 04 — 2015
16 — 04 — 2015
15h30 / Cinemateca Portuguesa / Sala M. Félix Ribeiro

Irreconciliáveis no que toca às opções formais e de ponto de vista que oferecem, ambos os filmes trabalham a partir da recolha de testemunhos de teatros de guerra, no sentido literal e figurado. Fala-se e revive-se aqui o inconfessável e o inenarrável das guerras africanas, vividas por quem lutou em causa própria ou a soldo, no próprio local e no corpo das testemunhas em Pabia de Aos ou num distante cenário e no corpo de um jovem actor em Le Boudin.

Le Boudin
Salomé Lamas
(2014, Portugal / Alemanha, 17’)

«Nenhuma das pessoas, a quem pergunto por mim me viu.» Le Boudin documenta o encontro do jovem Elias Geißler com o testemunho de Nuno Fialho que aos 16 anos se encontrou na Legião Estrangeira Francesa «Não me alistei. Alistaram-me».

Pabia di Aos
Catarina Laranjeiro
(2013, Portugal, 56’)

Na Guiné-Bissau, quarenta anos depois da guerra, aqueles que aderiram ao movimento de libertação e aqueles que lutaram no exército colonial põem em cena uma multiplicidade de discursos e memórias irreconciliáveis.

[Intervalo]



De imagens e memórias se faz esta sessão, na qual um conjunto de filmes com um forte cunho pessoal é atravessado por inquietações que ecoam entre si. A matéria da imagem filmada e da pintura em murmure de murs ou A Caça-Revoluções, cartas lidas em As Figuras… ou Tudo vai sem se dizer, mas também a memória e o arquivo, os gestos da artista e da artesã, o desejo de ficção que cada material contém. Filmes em larga medida construídos pela montagem de elementos díspares, neles se experiencia a densidade irredutível de cada som, de cada imagem, de cada rasto.

Murmures de murs
JAS
(2014, Portugal, 12')

Este filme surge na sequência de um processo documental, em busca de um imaginário que relaciona a prosa escrita numa reflexão realista. Documenta uma ficção a partir do trabalho da artista plástica Manuela Pimentel e do texto escrito por Saguenail.

A Caça Revoluções
Margarida Rêgo
(2013, Portugal, 11')

Tudo começou com uma fotografia tirada em 1974, pouco depois da Revolução Portuguesa sair às ruas. A Caça Revoluções tenta entrar nessa fotografia à procura de um país, como quem quer entrar dentro de um tempo em que não viveu e perceber o que significa fazer parte de uma revolução ou o que significa lutar por um país. A Caça Revoluções é um encontro entre dois países, entre duas lutas e entre duas pessoas que procuram a transformação de um país. A Caça Revoluções tenta entrar, transformar e redesenhar sobre um passado, como se dele pudesse tirar vida.

As Figuras Gravadas na Faca com a Seiva das Bananeiras
Joana Pimenta
(2014, Portugal / EUA, 17')

O rodar de um farol desenha um círculo. No espaço dessa linha atravessa-se um arquivo de postais enviados nos anos 60 e 70 entre a Ilha da Madeira e Moçambique. As Figuras Gravadas na Faca com a Seiva das Bananeiras circula entre uma ficção ancorada numa memória colonial e a ficção-científica.

Tudo Vai Sem se Dizer
Rui Esperança
(2014, Portugal, 20')

No dia 19 de Março de 1958, António Esperança escreve a Armanda Esperança, enquanto serve no Ultramar. Ela é hoje dona de uma loja de artesanato no centro histórico de Viana do Castelo. É a véspera das festividades anuais da Senhora d'Agonia. Com estas regressa uma vivência que já não existe. E para a Armanda, a avó do realizador, um passado que é mais pessoal que colectivo.

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