19 — 04 — 2015
19 — 04 — 2015
21h30 / Centro Cultural Malaposta

O último filme que João César Monteiro nos deixou encerra a mostra, e nele podemos reatar alguns fios condutores que atravessaram o seu conjunto, como a escassez dos meios cinematográficos e a depuração – após a experiência limite de Branca de Neve, César Monteiro regressa à imagem, no entanto podemos sentir em Vai e Vem um ritmo auto-reflexivo e um despojamento que o diferenciam claramente da obra anterior. Traçando um arco com Fragmentos de um Filme-Esmola, reencontramos aqui a concentração no universo íntimo, nas rotinas, ou a exposição do estranhamento. Partindo de pormenores do quotidiano, como um trajecto de autocarro ou a contratação de uma criada, o cineasta explora os limites da linguagem que foi elaborando, a começar pela sua presença física. A ironia e a auto-irisão são neste filme, mais que nunca, marca do autor lúcido e livre.

Vai e Vem
João César Monteiro
(2003, Portugal, 175’)

João Vuvu, viúvo, sem família, à excepção de um filho que se encontra a cumprir pena de prisão por duplo homicídio e assalto a um banco à mão armada, vive sozinho em casa própria, ampla, soalheira e indicadora de apreciável abastança, num bairro antigo de Lisboa, situado no sopé do Monte Olivete. Pouco ou nada sociável, o senhor João Vuvu efectua diariamente o seu passeio no autocarro n.º 100, repetindo infatigavelmente o mesmo trajecto: no sentido ascendente entre a Praça das Flores e o Príncipe Real e, no sentido descendente, até ao ponto de partida e subsequente regresso a casa. Apenas alguns acidentes de percurso podem, episodiacamente alterar este quotidiano que parece corresponder à vontade de isolamento do protagonista, à assunção de um exílio que o torna relapso a qualquer aproximação social. A casa, onde livros e discos são as únicas companhias de João Vuvu, começa a requerer urgentemente os préstimos de uma mulher-a-dias que, com um mínimo de qualificações, teima em não aparecer. A saída do filho da prisão e a decepção que o seu desejo de regeneração provoca no pai, irá desencadear uma série de sombrios acontecimentos em que a índole criminosa do protagonista se manifesta e o condena a um destino definitivamente fora da lei e da comunidade.



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